Porque será que as nossas crianças estão diferentes…
Porque será que as nossas
crianças estão diferentes…
Durante os meus muitos
anos enquanto profissional do ensino, pude acompanhar de perto as mudanças dos nossos jovens ao longo do tempo. Hoje são bem diferentes daqueles de quando comecei a lecionar. Se compararmos os tempos
em que estudava, as diferenças são abismais. Na minha geração, fomos educados a
obedecer aos mais velhos numa cultura de medo do professor, o que servia para nos
manter quietos e calados. Quando comecei a lecionar já era
diferente. Mais desassossego, maior dificuldade em prender a atenção dos
alunos, para não falar da indisciplina e má educação. O respeito começou a ser
uma palavra que dava vontade de rir.
Enquanto docente sempre tive uma máxima, se me tratarem como vos trato, tudo estará bem e teremos aulas
agradáveis. De contrário, não vai ser bom para ninguém. Acreditava que quase
ninguém gostaria de se aborrecer, muito menos eu, por isso procurei sempre
chegar aos alunos de diferentes formas, para que os objetivos fossem alcançados
sem prejuízo das partes. Repito, chegar e não que eles chegassem a mim, já que
entendi, naturalmente, que tinha que ser eu a fazer esse “trabalho”.
Mas afinal o que
aconteceu para haver tanta mudança? Nos últimos 20 anos, começaram a surgir
alunos que não se interessam por nada e não se importam de reprovar, embora a
escola tudo faça para que obtenham sucesso.
Também comecei a
perceber que cada vez há mais alunos com necessidades especiais, carecidos de currículos
alternativos, hiperativos e com défice de atenção. Começou a ser necessário ainda
uma maior estratégica para conseguir captar-lhes a atenção e conseguir o tão
almejado sucesso. Numa turma, acontece ter por vezes 3 ou 4 alunos
medicados com a tal Ritalina. Esses, por norma, ficam quietos no seu canto,
cumprindo tudo o que se lhes pede, pouco participativos oralmente, mas com
resultados finais de sucesso, em parte devido aos currículos
alternativos e algumas formas de avaliação diferenciada. Confesso que esta
situação sempre me fez um pouco de confusão. Mas é a realidade de uma escola
voltada para o sucesso…
O que aconteceu para
tamanha diferença, não só no nosso País, mas no Mundo?
Uns dizem que o grande
problema está na falta de educação. Outros apontam que o fenómeno pode ter
acompanhado o aumento de horas que passam sozinhos, desde que a mãe deixou de
ser só dona de casa e passou a ter uma profissão. Para mim, esta não justifica
a falta de educação, aliás nada a justifica!
O que temos então, é uma
geração carente de atenção, direi até de amor e que para colmatar isso, arranja
formas desagradáveis de chamar a atenção, raramente entendidas.
Estes casos podem ser
resolvidos, a longo prazo, mas podem! O “pior” ainda são os outros, como já foi
referido, a quem se pede por favor para estar na escola, não têm interesse em
nada, tendo sempre a cabeça tão longe daquilo que se passa à sua volta.
Li muito sobre o
assunto, frequentei cursos, estudei muito seriamente a psicologia do
desenvolvimento, que me ajudou a entender algumas coisas. Mas, algo me fugia,
havia alguma coisa mais que desconhecia. Um dia ouvi falar de crianças Índigo. Mais
tarde de Cristal e depois de Arco-Íris.
Fiquei muito curiosa e
estudei com entusiasmo sobre cada uma delas.
A verdade é que todos
queremos ser entendidos e aceites. Se somos diferentes, vamos lá saber que
diferença é essa, para que toda a comunidade possa trabalhar melhor e com
sucesso, mesmo que inserido num todo, cuja maioria não sabe como fazer, pois nunca ouviu falar em tal.
A Criança Índigo,
Cristal e Arco-Íris são termos utilizados para descrever crianças que a pseudociência
chamada parapsicologia acredita serem especiais.
Para sabermos como a
escola deve estar apta para as acolher, torna-se necessário saber o que são, sem
que hajam conflitos geracionais.
No próximo texto vamos
saber quais as suas características e descobrir se conhecemos algumas ou se até
nos reconhecemos em algumas delas.
Judite Pato

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