O Despertador!
O Despertador!
Todos os aniversários são
especiais e quando somos mais jovens, a importância agiganta-se. Naquele dia ela
fazia 6 anos. Tinha entrado para a escola há mais ou menos 3 meses e ia ter a
sua primeira festa de anos em que podia convidar quem “quisesse”.
Naquele dia, quando
chegou da escola, depois de fazer os seus deveres e do jantar, teve finalmente
a sua prenda de aniversário. Os seus olhinhos brilharam quando viram o embrulho
que desfez rapidamente. Quando viu um relógio cor-de-rosa, com uns ponteiros
luminosos, os seus bracinhos enrolaram-se à volta do nosso pescoço. Afinal não
era um relógio qualquer, era um relógio despertador! Este tinha uma particularidade,
ela tinha que lhe dar corda todos os dias antes de dormir, se não o fizesse, poderia
não acordar a horas para ir para a escola.
Apesar da
responsabilidade que lhe foi atribuída, ficou tão feliz. Sentiu que agora era
dona do seu tempo e que os pais já não tinham a obrigação de a acordar.
Naquele dia, quando a
fui aconchegar, depois da leitura obrigatória de uma história, ela verificou
novamente se o relógio tinha toda a corda e suspirando, despediu-se com um até
amanhã mãe!
No dia seguinte, pelas
07:15h lá ouvimos o despertador a tocar que foi prontamente desligado. Não me
mexi. Comecei a ouvir o som de quem se levanta e começa a vestir-se. Quando a
vi passar em frente à porta do quarto, parou, viu que não estava a dormir e
atirou, bom dia mãe! E aí foi ela pela escada a baixo em direção à cozinha. Confesso
que nunca pensei que um simples relógio fizesse tanta diferença na sua atitude.
Quando cheguei junto dela, calçava já os sapatos para sair. O pequeno-almoço
era complicado de tomar, não tinha fome, dizia. Bebo só leitinho como o pai…
está bem, respondi, mas levas uma banana para o meio da manhã.
A partir daquele dia e
durante muitos anos, não foi mais necessário acorda-la para a escola ou outro
compromisso que tivesse. Religiosamente, o despertador cor-de-rosa tocava na
hora certa que ela própria aprendeu a acertar.
Às vezes, não são
prendas caras que têm mais importância, mas a intenção que está por detrás desta.
Claro que nunca lhe
disse que a partir do momento que lhe foi dado o despertador, teria de ser autónoma.
Mas ela sabia, porque ouvia, os pais também tinham um despertador idêntico que quando
tocava, eles se levantavam. O que fez foi pura e simples imitação.
Somos os seus modelos e
mais tarde ou mais cedo tentarão imitar-nos em tudo, ou quase tudo. Cuidados
redobrados no vocabulário, nas ações… pois temos em casa “alguém” que grava e
reproduz, cada pormenor da nossa vida, pensando que é correto.
Judite Pato

Magnifico!!!
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