Amigo Imaginário!
Amigo Imaginário!
Quantos de nós não
tivemos o nosso amigo imaginário? Aqueles que o tiveram sabem que nunca estavam
verdadeiramente sozinhos. Com ele trocávamos impressões, brincávamos e até dormiam
na nossa companhia. Mas, no outro dia, lá estavam eles mal abríamos os olhos, já
frescos e arranjados para ir para a escola.
É imaginação, dizem
alguns, mas imaginação ou não o Gonçalo, a Maria ou a Francisca, são reais para
nós e são quase a nossa segunda pele.
Já ouvi algumas vezes, pais
dizerem, passa-se alguma coisa, o meu filho fala sozinho e eu não vejo ninguém.
Se é assim é porque não teve o seu amigo imaginário. Pensar que por isso o seu
filho não está bem e precisa de ajuda, pode-lhe causar problemas sem que haja
razão para isso. Tente entrar na dele, ou seja, fale do amigo do seu filho preguntando
por exemplo como se chama, de onde é, a que gostam de brincar? As respostas
podem ser surpreendentes.
A verdade é que as
crianças que “chegam”, surgem cada vez mais diferentes das de há 20 ou 30 anos atrás.
Conseguem “ver” muito mais do que cada um de nós. Por norma sempre foi assim, só
que agora é em maior escala ou seja, veem muito mais e durante muito mais
tempo. Sim, porque à medida que vão crescendo essas capacidades vão diminuindo,
umas vezes desaparecem, outras mantêm-se e até se desenvolvem.
Quando assim acontece, não
se assunte, nem pense que o seu filho é anormal. Então que é isto?
Todos viemos de um mundo
que a maioria de nós esquece quando nasce. O que quer dizer que antes já existíamos
e como tal, tínhamos os nossos amigos, a nossa família. No momento da conceção,
parte de nós, escolheu tornar à terra e nascemos na nossa atual família. Se
alguns esquecem completamente, outros há que a barreira entre o visível e invisível
é muito ténue. Ou seja, eles continuam a ver seres invisíveis à maioria dos
olhos e a falar com eles. É perfeitamente natural que isto aconteça, não se
assuste, o seu filho não precisa de ajuda. Se procurar dialogar com ele sobre o
assunto, talvez descubra um agradável mundo novo. Tente entender.
Depois, quando ele já
tiver idade para perceber que nem todos são como ele, diga-lhe que não precisa
de contar sobre o que vê com os outros, por enquanto, porque a maioria não ia
entender. Até ter idade para entender, podem falar abertamente dos amigos imaginários,
das longas conversas que têm e das brincadeiras extraordinárias que fazem a
bordo das suas naves espaciais.
Afinal, nunca se sabe até
onde a imaginação pode chegar e, as crianças, têm-na muito fértil…
Imagine com o seu filho,
vai sentir-se de novo criança e redescobrir agradáveis mundos “novos”.
Judite Pato

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