O Hábito, a Rotina e a Imitação
O Hábito, a Rotina e a Imitação
Quanto mais depressa a
criança ganha autonomia, melhor para nós e sobretudo, para ela. Isso inclui a
toma das refeições. A hora da refeição é sagrada e logo desde muito pequenino,
ainda a beber o biberão, quando já começa a conseguir segura-lo, devemos fazer
coincidir com a nossa refeição. Logo que consiga senta-lo na cadeirinha,
chegue-o à mesa, vai sentir que faz parte do ritual de cada refeição.
À medida que for
introduzindo os alimentos, como a papa, ou sopa, deve ser colocado ao lado do
seu prato, o talher correspondente. Faça uma sopa que todos gostam de comer e
partilhem desse momento em conjunto. Rapidamente vai querer comer sozinho, por
imitação. Deixe, mesmo que vá mais por fora do que por dentro, vai chegar a altura
que comerá sem necessitar de ajuda.
Nesta questão da sopa,
por vezes acontece que nem todos os elementos da família, a querem. Se isso
acontecer, pode suceder que a criança comece a recusar. É muito importante que
todos façam um esforço e a comam também. Porque aquela frase “faz o que eu digo
mas não o que eu faço”, não resulta de todo, em nenhuma idade, muito menos
quando já se entrou na adolescência. O que lhe é exigido, deve também ser feito
pelos pais e irmãos, se os houver. Desta forma, haverá muito menos recusas,
porque todos fazem o mesmo, aquela hora e daquela forma. E, não adianta dizer:
- Eu não como mas tu
tens que comer. Precisas dela para não ficares doente.
Mesmo explicando, ela vai
pensar ou até dizer: mas e sou só eu que preciso não ficar doente, e os outros?
Para evitar tudo isso, o
melhor mesmo é não facilitar.
Se para as horas de cada
refeição, estiver instalada uma rotina, ainda que na maior
parte dos dias da semana,seja só o jantar, é essencial que seja “o momento de reunião da família”,
sem muito ruído, Portanto, nada de TV ligada, ou outros. Desta forma, vão poder
ouvir-se bem uns aos outros, sem motivos de distração. Se assim for desde muito
jovens, vão ter agradáveis surpresas. E quando derem por isso, lá pelos 8 ou 9
anos, serão os próprios que irão desligar a TV, e será tão natural, quanto o
garfo estar do lado esquerdo e a faca do lado direito, com a serrilha virada
para dentro. Porquê? Porque desde bebé foi assim, mesmo quando ainda só havia o
brrrr ou o grrr como forma de participar na conversa.
O hábito, a rotina e a
imitação são três formas de estar que jamais podem ser descuidadas.
Judite Pato

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