Insiste, Insiste!



Insiste, Insiste!

Dizem alguns que os valores e aprendizagens principais se fazem, naquela a que chamo a primeira infância, vai até aos 5 anos. Outros alargam esse período até aos 7 anos. Considerando a diferença entre indivíduos,  direi que para uns será até à primeira, para outros será até à segunda.

O que todos estamos de acordo é que esta, é uma fase muito importante para o desenvolvimento da criança e nem sempre entendida. Umas vezes, pensamos que já tem desenvolvimento suficiente para entender e exigimos coisas que ainda não estão ao seu alcance, porque ainda não é altura. Outras oferecemos ou jogamos jogos que a criança, já numa fase mais adiantada, se sente infantilizada. É preciso ter muita atenção para não “ofender” ao oferecer coisas desadequadas ou ter atitudes desajustadas.

 Falar de forma infantil, com muitos diminutivos ou até articulando mal as palavras, tentando imita-la é muito comum e pode ter dois efeitos: ou ela sente que é ridícula, ou ao invés de começar cedo a articular bem as palavras, faz o contrário.

Como já foi dito, quando nasce, o seu cérebro, salvo raras exceções de que falaremos mais tarde, vem limpo de qualquer lembrança e, regista tudo o que vê, sente e ouve. Se ouve mal, reproduzirá mal. Mais tarde pode acontecer que lá terá que ir para a terapia da fala porque não diz os “r” ou os ”l”. Ninguém quer que isso aconteça!

Portanto fale sempre com a criança como se fosse adulto e entendesse tudo o que diz. Articule muito bem cada palavra. Claro que existem termos que ele não vai entender logo, mas com o tempo, ele pergunta e nós estamos cá para responder.

Também é nesta fase que são egocêntricos. Não se preocupe, é normal. Imaginam que tudo o que acontece é para eles e por eles. Até o Sol ao nascer é só para eles.

- O brinquedo é meu! Não dou!

São afirmações comuns, mas à medida que o tempo passa, com o convívio de outros meninos, percebe que pode brincar com o brinquedo do outro e vice-versa e, desta forma, alargar o número de brinquedos.

Descobre também que o abraço não é só para ele e que ele próprio pode oferecer um abraço apertado, não só aos pais, mas também aos amiguinhos.

É tão importante o convívio com outros da mesma idade ou outras, dentro desta primeira infância. Podem-se ajudar mutuamente, aceitando o outro, como parte do seu mundo.

Nesta altura a barreira entre o certo e o errado é muito ténue. Mas é aqui, na primeira infância que se aprende a distinguir o que deve e não deve fazer, explicando-se as consequências, que nem sempre são logo entendidas. Não desanime, repita sempre. Um dia ele vai entender.

Na nossa casa há um sem número de coisas que não queremos que mexam. Quanto mais dizemos: Não mexe! Mais a curiosidade aguçada por não saber o que acontece se mexer, o leva a ir lá.

É difícil explicar que não devem colocar os dedos nas tomadas porque podem levar um choque, ou mexer no tacho que está ao lume porque se podem queimar, ou que não devem abrir os armários porque o que está lá dentro pode cair em cima. Com paciência e repetição, podemos explicar, simulando que colocamos lá a mão ou o dedo e que nos fez doer, por isso não devem faze-lo. Acredite que resulta. É só preciso paciência, para repetir porque não devem fazer, o que não quer que façam, todas as vezes que forem necessárias. Vai valer a pena.

Outras há que o melhor mesmo é arranjar tranca portas, para os armários da cozinha e pinças que segurem a talha de mesa.

Não vale a pena, nesta idade, fazer um drama porque ele fez algo de errado, mesmo depois de termos explicado. A verdade é que pode ainda não ter desenvolvido a capacidade de distinguir o bem do mal, o que deve e não deve, mas chegamos lá, com persistência.

Lembre-se que ao estar a corrigir, a criança vai entender e reconhecer quem lhe dá as orientações e os valores que persistentemente estão a ser transmitidos.

Pode ser difícil, mas quem disse que é fácil educar? Mas é com toda a certeza, gratificante!


Judite Pato

Comentários

  1. A insistência e persistência são a base da conquista e do sucesso.
    Espero que este teu blog, tão bem estruturado, com ensinamentos deveras importantes possa ser útil a muitos pais e educadores, como é tua intenção.
    É desejável, e espero que isso aconteça, que surjam comentários, perguntas e outros motivos que te incentivem ainda mais neste propósito arrojado e trabalhoso mas que sei te dá muito prazer pelo simples desejo de ajudar, como é teu timbre.
    Parabéns pelo trabalho.
    Beijinhos.

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    Respostas
    1. É Muito importante para mim, ter a vossa opinião.
      Afinal este blogue nasceu para todos. Muito obrigada, pela força. Tudo farei para poder corresponder ao que me for solicitado.

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