Cumprir Regras



Cumprir Regras

Quem não se lembra de ter 8 anos? Posso dizer que tenho lembranças desde muito jovem, talvez de quando tinha uns 3 anos. Mas foi com a idade de 8 anos que entrei para a escola oficial. Um pouco tarde, mas alguém me colocou no 2º ano. Fiquei muito feliz. Também tenho na lembrança que fui a primeira a acabar a prova do final do ano, com tudo certo e que a professora a foi mostrar à colega que estava na sala do 3º ano. Admirada, envergonhada, por falarem de mim baixinho, mas contente, Para mim, todas as aprendizagens, em especial a Matemática, eram uma brincadeira. Adorava brincar com os números. Também tinha muita curiosidade sobre o que diziam os livros e gostava de contar, à minha maneira, escrevendo, como tinha sido o meu dia. Tinha ouvido falar de que havia pessoas que escreviam um Diário e comecei também a fazê-lo, talvez já no 3º ou 4º ano.

Na verdade a capacidade de ter um pensamento lógico surge por volta dos 8 anos, mas pode demorar e prolongar-se até aos 12.

Nesta fase, colocava muitas questões a que muitos respondiam: Isso não é para a atua idade!

Intrigava-me o que seria mesmo o Céu e o Inferno que ouvia falar na Catequese. E dizia muitas vezes que só queria poder ir ao Céu, que devia ser um lugar lindo, para depois vir cá abaixo contar. Para mim era lógico que só o Céu seria o lugar para visitar, sentia que era o lugar dos bons, por isso deveriam deixar-me entrar.

Incrível, como o pensamento lógico se mistura com a inocência de quem tudo quer saber, à procura da verdade.

A noção de moral é neste período já facilmente compreendida.

Podem e devem ser explicadas as regras do que se deve e não deve fazer socialmente, com a certeza de que pode ser entendido.

O que fazer quando as regras são quebradas? Que atitude tomar, quando a criança se sente no direito de fazer o que entende, mesmo sabendo que está errado?

Cabe-nos a nós, adultos, ajudar. Repetem-se todos os dias, em todos os momentos. O diálogo é aqui a ferramenta mais importante. É simples: todos temos que cumprir regras, se não as cumprirmos, sofremos as consequências.

Como já foi dito, todos somos diferentes, todos temos um tempo e para todos tem de haver uma abordagem adequada.

Os meus pais, na figura da minha mãe, com quem passava a maior parte do tempo, encarregava-me de pequenas tarefas de que era responsável, além de ter que fazer os TPC diários. Fazia parte, nem me passava pela cabeça não as fazer. Mas às vezes, acontecia, distraia-me mais tempo com umas coisas do que com outras e ficava alguma por fazer. Nesse dia, já sabia, que não havia TV e dormia mais cedo.

Era assim. Será que o meu exemplo se pode adotar e adaptar aos jovens de hoje?

Gostava muito que me dissessem o que pensam. Pode ser?


Judite Pato

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A magia das palavras

Medos e medos!

Os nossos Primeiros 12 meses