Aprendizagens ou habilidades adquiridas?!



Aprendizagens ou habilidades adquiridas?! 

Até aos 12 meses a motricidade desenvolve-se rapidamente, mas é a partir do ano e meio que a motricidade fina, ao nível das habilidades com objetos, começa a inovar-se, ele consegue construir, a brincar, ao usar a cognição e coordenação motora. Ou seja: o cérebro comanda e as mãos executam. Isto é visível quando brinca com peças grandes, colocando-as engenhosamente em equilíbrio, ou desfolha o livro de histórias, ainda juntando várias folhas. Ao mesmo tempo que já consegue subir escadas, vigiado e apoiado. Agora a vigilância tem que ser ainda mais apertada. Os acidentes acontecem quando menos esperamos.

Aos 2 a 2 anos e meio, está um atleta. Corre, salta, sobe e desce escadas sem precisar que o ajudem. Atenção às portas, abre-as com facilidade e pode ir para onde não queremos. Adora desenhar círculos e identifica-os, dando nomes, como bola, mãe, pai, etc.

Aos 3 anos, anda de bicicleta ou triciclo, O que quer dizer que sua coordenação motora está de novo em evidência. Gosta já de copiar a forma geométrica mais fácil para ele, o círculo. Adora mostrar que já sabe vestir-se sozinho. Bom deixar, mesmo que a camisola seja vestida ao contrário e as calças lhe caiam.

- Muito bem, parabéns, Mas, posso ajudar?

Ele irá dizer que sim e nós agradecemos. Ao corrigirmos, irá aprendendo.

Ao escolhermos a roupa, podemos identificar as cores:

- Hoje vai ser a camisola verde, as meias castanhas e as calças azuis.

No dia seguinte:

- Podes-me ajudar? Podes ir buscar a camisola castanha, sff?

Verificamos que ele não troca as cores e se trocar, no outro dia irá acertar.

- É esta mesmo, muito obrigada!

Ou

- Não é esta, mas sim a outra que está ao lado.

E de diálogo em diálogo, não se admire se ele disser que precisa fazer xixi e correr para a casa de banho, Por esta altura é quase quase independente, nesta questão.

Pelos 4 e 5 anos a destreza física motora está fantástica. Sobe, desce, salta sobre um pé. Consegue aprender a nadar. Veste-se e despe-se sem se enganar e com destreza.

Pode sair com o infantário em grupo para passar uns dias fora. É perfeitamente capaz de fazer a sua higiene, incluindo lavar os dentes, Embora seja sempre bom fazê-lo com vigilância. Aprecia vestir a roupa que mais gosta, coisa que só permite, desde que ache adequado.
Lembre-se que quem decide é o pai ou a mãe.

Uma vez, quando a minha filha regressava da sua primeira viagem de uma semana com os colegas e educadores, pelos seus 4 anos, contou-me rindo-se muito:

- Mãe, tu sabias que o Ricardo ficou aflito por não saber qual era a meia do pé direito? Ri-me tanto.- Contou-me - Tive que lhe dizer que tanto fazia- disse-me ela ainda a rir da situação e sentindo-se muito importante, porque ela sabia.

Esta ligação que as crianças têm, desde muito jovens, muitas vezes desde o berçário, é extremamente importante para o seu desenvolvimento social, cognitivo e físico. Desenvolvem habilidades a todos os níveis, tornam-se autossuficientes e ao mesmo tempo, responsáveis.

Quando temos um filho, tudo o que queremos é que ele consiga adquirir todas as habilidades, integrando-o socialmente, sem medos. De nada vale super proteger, isolando-o de outras crianças, ou convivendo só com aquelas que julgamos ser as melhores ou iguais, socialmente falando. Em alguma altura, ele terá que ver o mundo tal como é. Todas as crianças são iguais, a diferença está na nossa cabeça, formatada, por defesa quase doentia de proteção. Quando nasce e cresce num ambiente multifacetado, todos os colegas e amiguinhos são aceites naturalmente. Deixemo-la livre… com uma liberdade controlada, sem que dê conta. Assim, ela vai sentir que é capaz e que confiam nela.

Os nossos filhos são a nossa melhor obra… feita cada dia, com muito Amor!


Judite Pato

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